Pecuária de precisão
Pecuária de precisão: mais resultados e custos reduzidos Diminuir custos e aumentar o rendimento são os ganhos mais exponenciais deste avanço Saber exatamente o que o gado consome para produzir o seu máximo de leite e carne é o cenário ideal na pecuária. Através de sistemas de informática isto é possível. Atualmente tecnologias de informação e comunicação permitem monitorar diversas etapas do sistema de produção e tomar decisões para impulsionar a produção. No Brasil, estes processos ainda são uma novidade, que aos poucos começa a se expandir nas propriedades rurais. A pecuária de precisão tem como foco a potencialização do desempenho individual, em detrimento do tratamento por grupos de manejo. Os resultados práticos seriam a melhor performance de cada gado e a otimização do uso de insumos. A identificação dos animais é a base para a maior parte das funções desse sistema que se transforma em progressos zootécnicos, controle e economia. Certeza de qualidade na carne A partir da identificação individualizada do gado e do conhecimento das suas necessidades nutricionais, fisiológicas e sanitárias, é possível direcionar o manejo e torná-lo mais eficiente e com um produto final de maior qualidade. “A Embrapa tem utilizado dispositivos de comunicação eletrônicos que possibilitam o armazenamento e transmissão de informações pela tecnologia RFID [identificação por radiofrequência]. Estes dados são fornecidos remotamente através dos dispositivos instalados nos animais”, explica Alberto Bernardi, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste. Com isso, consegue-se registrar e recuperar todas as informações referentes ao espécime como: idade, pesagem e controle sanitário e de zoonoses. Estes conhecimentos serão essenciais para a rastreabilidade final do produto, aumentando sua excelência. Imagine que estes dados são armazenados e o consumidor, ao comprar um corte de carne, possa recuperar todas as etapas de criação e produção. A pecuária de precisão é, na verdade, uma forma de gestão da informação que auxilia na administração do agronegócio e fornece elementos para a rastreabilidade. Aumento da produção leiteira O valor da alimentação pesa no custo de produção em qualquer sistema intensivo. “Dessa forma, não há outro caminho para a lucratividade a não ser a busca por elevada eficiência alimentar [EA] nos rebanhos. Vacas leiteiras só serão lucrativas se apresentarem elevada eficiência de uso dos nutrientes ingeridos”, esclarece Gustavo Salvati, zootecnista, doutorando em Ciência Animal e Pastagens pela Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz (ESALQ - USP). Um exemplo prático na pecuária leiteira é o uso de robôs para a execução da ordenha. Ele, além de realizar a atividade, identifica vacas com mastite (inflamação da mama) e fornece o concentrado (alimentação) de forma precisa. Este conceito também se aplica na redução de desperdícios, exatidão na administração dos nutrientes e contribuição decisiva para a diminuição de emissão de poluentes nas fazendas. Com a utilização da pecuária de precisão, uma fazenda leiteira no estado de Nova York (Estados Unidos) conseguiu melhorar a produção em 5,9kg leite/vaca/dia num período de um ano. A receita (lucro) menos o custo de alimentação (RMCA) aumentou em quase U$S 2,00 por vaca/dia. Como o rebanho dessa fazenda era de 120 vacas, isso representa um RMCA de U$S 87.600,00 no ano, o que ao câmbio atual do dólar equivale a cerca de R$ 310 mil. No que se refere às questões ambientais, a excreção baixou de 137,2g para 72,8g por vaca/dia, diminuindo o impacto no meio ambiente. Além dos ganhos, sustentabilidade Além do efeito positivo na lucratividade, a eficiência alimentar também tem relação direta com o impacto ambiental. Elementos como nitrogênio (N) e fósforo (P), que são importantes componentes da dieta das vacas, podem ser agentes poluidores se forem excretados em grandes quantidades. Dentre as diversas práticas que uma fazenda pode adotar para conseguir elevada eficiência alimentar, a pecuária de precisão é uma das que produz efeitos mais significativos.


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